Rodrigo Marcon é conhecido por sua trajetória nos contos e microcontos, construindo histórias completas, intensas e marcantes em poucas linhas. Seus textos combinam sensibilidade, tensão e observação afiada do comportamento humano. Para quem prefere leituras rápidas, mas que ecoam na cabeça depois, esse universo é um prato cheio!
Vênus: Não sei como são essas coisas. Eu não sabia como eram essas coisas até te conhecer. O que você pensa que eu sou? O que você imaginou que eu era?
CAFÉ CRÈME: Nunca amei Helena, mas ela estava lá. Sempre esteve. Desde o primeiro dia — o dia em que eu não a veria mais — compreendi e queria dizer que a perdoo, se pudesse. Sei que ela também sabe, mas não acredita. Não a culpo.
Oráculo: As cartas falavam de uma morte na família ainda naquele ano. Já estavam em meados de dezembro quando decidiu comprar o revólver. Só por garantia.
O Troco: — E então, como foi? Me conta. — É uma história curta: dois ou três minutos, incluindo as preliminares.
— Nossa! E valeu trair ele por isso?
— Cada segundo.
Rodrigo Marcon (Lages/SC, 1979) escreve ficção marcada por uma forte carga humana, atenta aos detalhes e à verossimilhança. Católico, casado e pai
de duas filhas, o autor é formado em Ciências Sociais
e pós-graduado em Segurança Pública.
Atuou por dez anos na Polícia Civil de Santa Catarina e, há mais de treze, integra a Polícia Federal como Agente Classe Especial. Na literatura, estreou em 2002 com a coletânea de contos Cinco Movimentos. Teve diversos textos publicados em antologias e lançou o romance
O Antiquário (2024) e a novela Pirarara (2026).